sexta-feira, 9 de março de 2012


Peteté

 Corria célere o ano de 1946: completei 11 anos no dia 5 de maio. Mamãe fez um Culto Doméstico, orou, leu a Bíblia, cantou hinos de louvor a Deus e, ao terminar, acendeu as doze velas do bolo que fez para me homenagear. Cada irmão deu-me um presente: par de meias, cueca, camisa, calça comprida e um estojo de tintas coloridas, óleo, para eu pintar. Também ganhei três telas. Todos cantavam animados “Parabéns a Você”! Mostrei alegria, mas era mentira! Sufocava-me uma tremenda dor no peito. Eu sou homossexual! Assumido! Conheço alguns que o são, mas fingem que são homens... Não é para mim!

Minha cabeça só pensava em sexo, no erótico e sexual. Que tremenda confusão na minha cabeça!

Veloz passaram os dias e chegou outubro. Dely fez 15 anos! Mamãe economizou tostão por tostão e preparou uma festa para ela. Fui comprar gelo e refrigerantes na Casa de Gelos Tenuta. Não bebíamos nada com álcool! Levei um saco de estopa para trazer tudo.

Na Praça Ipiranga, que mamãe contou ter sido antes no Largo da Cruz das Almas, encontrei Peteté: baixinho, igrejeiro, que falava engraçado e todos riam. Era quarta-feira! Ou seja, é sinônimo de maluco! Sempre sozinho investia contra jovens adolescentes. Falava sozinho e mantinha relações sexuais com meninos desavisados. A praça estava escura. Faltava luz, vez por outra em Cuiabá! Chamou-me e fui! Puxou-me com suas mãos grossas para um lugar onde não havia sequer uma sombra, ninguém, para “brincar”, segundo disse. Segui Peteté, muito nervoso e com medo. Fiquei excitado. Lembro-me que me carregou para um local onde havia pequenos arbustos. Ele mancava... Abriu minha braguilha, pegou meu pênis e começou a beijá-lo com sofreguidão. “Enfia aqui! Enfia!” De quatro como os animais, pedia-me para enfiar nele. Apesar de nervoso, gostei daquilo, e empurrei tudo para dentro dele. Gemeu! Grunhiu como um porquinho! Emocionei-me!

De verdade, foi minha primeira relação sexual. Demoramos uns vinte minutos ali e ele dizia coisas que não entendia porque seu falar era confuso. Peteté devia estar com mais de trinta anos! Bem mais velho que eu! Finalmente concluí o que ele tanto desejava. Sorriu, abraçou-me e me ajudou a buscar o gelo e os refrigerantes.

Senti que era um homossexual confesso! Pronto! Tudo que se passara antes foram brincadeiras pueris com meninos da mesma idade que a minha. Agora não, havia realizado o ato sexual completo. Tornei feliz àquele homem imbecil!

Ajudou-me a carregar o gelo e os refrigerantes até a minha casa,  depois sumiu!

Dias depois, parece que as coisas se cadenciam, uma mulher me chamou. Estava na Praça da República. Pediu-me que fosse comprar um sorvete, pois estava morta de calor. Entregou-me uma nota. Fui correndo até o bar do Chico Jorge. Dei a nota e peguei o troco. Rápido levei o sorvete que me pediu e entreguei-lhe o troco. Deu-me o dinheiro. “Toma, é seu!” Era uma mulher morena, pintada exageradamente, vestida de cetim vermelho brilhante. “Quer me f.....? Venha! Pode ir comigo lá na zona!” Senti vergonha e saí às pressas dali. Era uma prostituta! Seu convite em nada me afetou. Eu? Ter relação com uma mulher? Não, nenhuma vontade deu-me de deitar com aquela mulher escandalosa! Esqueci-me dela, porque não faz parte do meu mundo.

Era Carnaval! O pessoal da Presbiteriana costuma fazer retiros durante esse período. Viajamos para a Chapada e ficamos hospedados no Colégio do Buriti, dos crentes norte-americanos. Rapazes ficavam de um lado e as moças do outro.

Que natureza belíssima! Buritis! Mangueiras! Laranjais! Um pequeno rio de águas cristalinas cercava-se de grandes árvores. Local de rara beleza! Garças brancas revoavam o céu! Vi uma plantação de ananás, melancias e abóboras.

O pastor marcou o culto para às 8 da noite. Falou sobre o Sermão da Montanha. Oravam e cantavam diversos hinos. Que enjoativo! – pensei.

Terminou o culto. A turma passou a conversar entre si. Encontrei um jovem como eu que se chamava Telmo. Rosto rosado, cabelos anelados e finos, olhos grandes, lábios finos. Era um jovem belo! Deixou-me excitado. Depois ao conversar com outros garotos da minha idade, percebi que todos estavam de olho nele.

Tornamo-nos amigos. Simples amigos! Fez-me algumas revelações, inclusive de que já tivera relações sexuais com Leonardo, meu grande amigo, pelo qual fui apaixonado.

À noite, sozinho em minha cama, não conseguia dormir! A razão era Telmo! Dormi e sonhei que fazíamos amor junto ao rio. Acordei decepcionado, porque estava sozinho.

Ele fez amizade comigo, mas nunca tocou em assunto de sexo. Não era audacioso para atacá-lo. Um dia tomava banho, pelado, e tive desejo de abraçá-lo, mas me contive. Tempos depois partiu para o Rio de Janeiro, onde morava sua família.

Para ter algum dinheiro costumava colher limões na chácara de tio Oder, que vendia em diversas casas do centro da cidade. Era o dinheiro com que contava para ir ao cinema, comprar picolés e sorvetes. Mamãe não dava mesada a nenhum filho. O dinheiro que tinha era para manter a nossa casa. Comida nunca nos faltou! Nem roupas e sapatos!

Em uma das minhas idas para colher limões, passei pela casa da minha tia, cujo filho único era lindo.  Deitado na grama, só de cueca e peito nu. Percebi ficar nervoso com a minha presença.  Quis alguma coisa comigo, porém teve medo. Afinal, éramos primos! Ele era mais velho que eu talvez uns oito anos.  Eu, aos onze, e ele, com dezenove! Insistiu para que me aproximasse mais perto dele. Cheguei pertinho e fiquei nervoso. Tirou para fora seu pênis. Que belo! Era bem feito e grande! Excitei-me demais! Riu, guardou tudo e ficou de costas. Foi uma cena inesquecível para mim!




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