Peteté
Minha cabeça só pensava em sexo, no
erótico e sexual. Que tremenda confusão na minha cabeça!
Veloz passaram os dias e chegou outubro.
Dely fez 15 anos! Mamãe economizou tostão por tostão e preparou uma festa para
ela. Fui comprar gelo e refrigerantes na Casa de Gelos Tenuta. Não bebíamos
nada com álcool! Levei um saco de estopa para trazer tudo.
Na Praça Ipiranga, que mamãe contou ter
sido antes no Largo da Cruz das Almas, encontrei Peteté: baixinho, igrejeiro,
que falava engraçado e todos riam. Era quarta-feira! Ou seja, é sinônimo de
maluco! Sempre sozinho investia contra jovens adolescentes. Falava sozinho e
mantinha relações sexuais com meninos desavisados. A praça estava escura.
Faltava luz, vez por outra em Cuiabá! Chamou-me e fui! Puxou-me com suas mãos
grossas para um lugar onde não havia sequer uma sombra, ninguém, para
“brincar”, segundo disse. Segui Peteté, muito nervoso e com medo. Fiquei
excitado. Lembro-me que me carregou para um local onde havia pequenos arbustos.
Ele mancava... Abriu minha braguilha, pegou meu pênis e começou a beijá-lo com
sofreguidão. “Enfia aqui! Enfia!” De quatro como os animais, pedia-me para
enfiar nele. Apesar de nervoso, gostei daquilo, e empurrei tudo para dentro
dele. Gemeu! Grunhiu como um porquinho! Emocionei-me!
De verdade, foi minha primeira relação
sexual. Demoramos uns vinte minutos ali e ele dizia coisas que não entendia
porque seu falar era confuso. Peteté devia estar com mais de trinta anos! Bem
mais velho que eu! Finalmente concluí o que ele tanto desejava. Sorriu,
abraçou-me e me ajudou a buscar o gelo e os refrigerantes.
Senti que era um homossexual confesso!
Pronto! Tudo que se passara antes foram brincadeiras pueris com meninos da
mesma idade que a minha. Agora não, havia realizado o ato sexual completo.
Tornei feliz àquele homem imbecil!
Ajudou-me a carregar o gelo e os
refrigerantes até a minha casa, depois
sumiu!
Dias depois, parece que as coisas se
cadenciam, uma mulher me chamou. Estava na Praça da República. Pediu-me que
fosse comprar um sorvete, pois estava morta de calor. Entregou-me uma nota. Fui
correndo até o bar do Chico Jorge. Dei a nota e peguei o troco. Rápido levei o
sorvete que me pediu e entreguei-lhe o troco. Deu-me o dinheiro. “Toma, é seu!”
Era uma mulher morena, pintada exageradamente, vestida de cetim vermelho
brilhante. “Quer me f.....? Venha! Pode ir comigo lá na zona!” Senti vergonha e
saí às pressas dali. Era uma prostituta! Seu convite em nada me afetou. Eu? Ter
relação com uma mulher? Não, nenhuma vontade deu-me de deitar com aquela mulher
escandalosa! Esqueci-me dela, porque não faz parte do meu mundo.
Era Carnaval! O pessoal da Presbiteriana
costuma fazer retiros durante esse período. Viajamos para a Chapada e ficamos
hospedados no Colégio do Buriti, dos crentes norte-americanos. Rapazes ficavam
de um lado e as moças do outro.
Que natureza belíssima! Buritis!
Mangueiras! Laranjais! Um pequeno rio de águas cristalinas cercava-se de
grandes árvores. Local de rara beleza! Garças brancas revoavam o céu! Vi uma
plantação de ananás, melancias e abóboras.
O pastor marcou o culto para às 8 da
noite. Falou sobre o Sermão da Montanha. Oravam e cantavam diversos hinos. Que
enjoativo! – pensei.
Terminou o culto. A turma passou a
conversar entre si. Encontrei um jovem como eu que se chamava Telmo. Rosto
rosado, cabelos anelados e finos, olhos grandes, lábios finos. Era um jovem
belo! Deixou-me excitado. Depois ao conversar com outros garotos da minha
idade, percebi que todos estavam de olho nele.
Tornamo-nos amigos. Simples amigos!
Fez-me algumas revelações, inclusive de que já tivera relações sexuais com
Leonardo, meu grande amigo, pelo qual fui apaixonado.
À noite, sozinho em minha cama, não
conseguia dormir! A razão era Telmo! Dormi e sonhei que fazíamos amor junto ao
rio. Acordei decepcionado, porque estava sozinho.
Ele fez amizade comigo, mas nunca tocou
em assunto de sexo. Não era audacioso para atacá-lo. Um dia tomava banho,
pelado, e tive desejo de abraçá-lo, mas me contive. Tempos depois partiu para o
Rio de Janeiro, onde morava sua família.
Para ter algum dinheiro costumava colher
limões na chácara de tio Oder, que vendia em diversas casas do centro da
cidade. Era o dinheiro com que contava para ir ao cinema, comprar picolés e
sorvetes. Mamãe não dava mesada a nenhum filho. O dinheiro que tinha era para
manter a nossa casa. Comida nunca nos faltou! Nem roupas e sapatos!
Em uma das minhas idas para colher
limões, passei pela casa da minha tia, cujo filho único era lindo. Deitado na grama, só de cueca e peito nu.
Percebi ficar nervoso com a minha presença.
Quis alguma coisa comigo, porém teve medo. Afinal, éramos primos! Ele
era mais velho que eu talvez uns oito anos.
Eu, aos onze, e ele, com dezenove! Insistiu para que me aproximasse mais
perto dele. Cheguei pertinho e fiquei nervoso. Tirou para fora seu pênis. Que
belo! Era bem feito e grande! Excitei-me demais! Riu, guardou tudo e ficou de
costas. Foi uma cena inesquecível para mim!
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