Sei lá! Não sei a razão de ter sonhado com meu marido,
aliado ex, o pai de meus 3 filhos: Marinari Caboaraci (nome escolhido por ele),
Marcia Cloraci e Mara Cloraci (nomes que escolhi). Cloraci é uma pessoa muito
bonita, inteligente e simpática, cuiabana, filha de dona Araci e Dr. Clóvis,
que compôs Cloraci. Acredito que minha filhas não gostam do nome que lhes dei,
mas é tarde!
Hoje, 5ª feira, a manhã está enfarruscada, com jeito de
chuvas e trovoadas. Acordei meio tonta e até julguei ser madrugada, mas já era
7h. Não vou a Carianos hoje, deixarei
para sábado. Olhei pela janela e vi pessoas passando com os guarda chuvas
abertos. Além dessas pessoas, enxergo telhados, paredes e o verde com vários
tons que se acha na montanha distante. Ao olhar para cima, vejo apenas a cor
cinza. Céu triste!
Sou aposentada e não estou atrasada para nada. Não tenho
compromissos, mas falei à filha Marcia que visitaria Marinara, filha do
inesquecível Marinari. Não vou!
Ficarei no apartamento do Dudu, meu sobrinho, que me alugou
por um preço camarada este quadrado. Brevemente chegarão suas filhas Nádia e
Giuliana, que darão um novo ar de juventude ao espaço onde vivo. Que bom! Amo
minhas sobrinhas-netas, filhas da maravilhosa
. Como é
especial! Devo-lhe alguns favores que jamais pagarei. Sempre oro pela sua
felicidade, hoje ao lado do Messias, um bom homem. Parecem estar apaixonados.
Desejo-lhes uma vida de surpresas de amor!
Deu-me vontade de dar uma descida e com passos miudinhos
desci os dois lances de escada. Na caixa nenhuma correspondência, apenas
algumas propagandas.
Na rua, aspirei o perfume de rosas, que meu vizinho da
frente tão dedicadamente coleciona. Rosas vermelhas, rosas, brancas, amarelas
(minha preferida) e até uma azul. Meu irmão Íbsen costumava fazer enxertos e os
resultados eram magníficos. Saudade do mano que um dia, na infância, chamava de
Chibi. Nos meus 3 anos, dormia depois do almoço e ao acordar, apenas gritava
Bi...bi...bi... E lá vinha o mano com meu pratinho de banana amassada com mel.
Que mano querido! Tinha 11 anos quando nasci. Fui um pouco filha dos meus
irmãos Edmundo, Íbsen e Dely. Tanto me paparicavam como me davam palmadas em
horas que se cansavam das minhas chatices.
Ainda hoje, aos 73 anos, olho para o Edmundo, casado com Éd,
pais dos sobrinhos Edmundo Júnior, Eduardo e Ireniza, e o vejo como um paizão.
O pai da minha infância, pois papai foi embora e mamãe nos criou. A figura do
pai faz falta. Via meus amigos com pai e mãe, e sofria por não ter pai. Edmundo
supria-me este vazio! Foi quem me deu o
1º álbum, onde minhas colegas copiavam poesias e desejavam-me felicidades. A
capa era de camurça. Lindo! Foi ele que me deu a 1ª maçã, que desconhecia. Mato
Grosso não é terra de maçãs. Também me deu uma caixa de passas, que saboreei
uma a uma. Que gostosura! Trouxe-me do Rio de Janeiro uma bela garrafa térmica
e fiquei encantada! João Pedro também quis levá-la à escola e não é que
quebrou? Não foi proposital, mas o maninho era desajeitado. Pior do que eu!
Gosto dele! Que quebre tudo! Eu amo meu irmãozinho, mais velho que eu apenas 3
anos, mas éramos unidos e ríamos de quase tudo. Mamãe não gostava das nossas
risadinhas. Tem Mal de Alzheimer e fico com a alma esmagada quando percebo que
esqueceu quase todo o nosso passado! Alemão safado! Pior que Hitler!
Caminhei umas cinco
quadras e vi uma casinha que gostaria que fosse minha. Inspirei fundo e o
perfume de jasmim tomou-me por inteira. Não sabia que encontraria jasmins nesta
5ª feira, primeiro dia de dezembro. O cheiro entrou em minha alma. São doces
como aqueles jasmins que tinha em minha casa cuiabana. Abençoada casa! Que
todos que moram aqui sejam felizes, como também era em Cuiabá!
Sigo à frente e novamente o cheiro de jasmim invade-me. Para
por um instante. Como o cheiro não sai de mim? Ora! Há outro jasmineiro no
jardim da casinha verde, de madeira. Uma jovem sai toda perfumada, percebe que
olho para as flores e, delicadamente, colhe alguns ramos e oferece-me.
Obrigada! Adoro jasmins!
- Nem precisa dizer! Seus olhos falam! Quer uma mudinha?
- Não, moro em apartamento, mas se futuramente morar numa
casa, prometo, virei aqui e pedirei uma mudinha.
- Fique à vontade! Quer entrar? Mamãe mora sozinha. Vou para
a faculdade. Estudo no CESUSC. Faço Direito e se Deus me ajudar ainda serei
Promotora! Até logo!
Recomeço a caminhada com passos mais apressados. Logo as águas
vão rolar! Lembro da marchinha carnavalesca: “As águas vão rolar! Garrafa cheia
eu não quero ver sobrar! Eu passo a mão na saca, saca, saca-rolha, e bebo até
me afogar! Deixe a água rolar!/ Se a polícia por isso me prender, e na última hora
me soltar, eu pego a saca, saca, saca-rolha, e bebo até me afogar!”
Cai a chuva! Corro para o apartamento e faço uma banana da
terra assada, que como com manteiga, canela e açúcar!
Saudades de um tempo que se foi!
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