quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

QUINTA-FEIRA DE JASMINS


Sei lá! Não sei a razão de ter sonhado com meu marido, aliado ex, o pai de meus 3 filhos: Marinari Caboaraci (nome escolhido por ele), Marcia Cloraci e Mara Cloraci (nomes que escolhi). Cloraci é uma pessoa muito bonita, inteligente e simpática, cuiabana, filha de dona Araci e Dr. Clóvis, que compôs Cloraci. Acredito que minha filhas não gostam do nome que lhes dei, mas é tarde!

Hoje, 5ª feira, a manhã está enfarruscada, com jeito de chuvas e trovoadas. Acordei meio tonta e até julguei ser madrugada, mas já era 7h.  Não vou a Carianos hoje, deixarei para sábado. Olhei pela janela e vi pessoas passando com os guarda chuvas abertos. Além dessas pessoas, enxergo telhados, paredes e o verde com vários tons que se acha na montanha distante. Ao olhar para cima, vejo apenas a cor cinza. Céu triste!

Sou aposentada e não estou atrasada para nada. Não tenho compromissos, mas falei à filha Marcia que visitaria Marinara, filha do inesquecível Marinari. Não vou!

Ficarei no apartamento do Dudu, meu sobrinho, que me alugou por um preço camarada este quadrado. Brevemente chegarão suas filhas Nádia e Giuliana, que darão um novo ar de juventude ao espaço onde vivo. Que bom! Amo minhas sobrinhas-netas, filhas da maravilhosa                      . Como é especial! Devo-lhe alguns favores que jamais pagarei. Sempre oro pela sua felicidade, hoje ao lado do Messias, um bom homem. Parecem estar apaixonados. Desejo-lhes uma vida de surpresas de amor!

Deu-me vontade de dar uma descida e com passos miudinhos desci os dois lances de escada. Na caixa nenhuma correspondência, apenas algumas propagandas.

Na rua, aspirei o perfume de rosas, que meu vizinho da frente tão dedicadamente coleciona. Rosas vermelhas, rosas, brancas, amarelas (minha preferida) e até uma azul. Meu irmão Íbsen costumava fazer enxertos e os resultados eram magníficos. Saudade do mano que um dia, na infância, chamava de Chibi. Nos meus 3 anos, dormia depois do almoço e ao acordar, apenas gritava Bi...bi...bi... E lá vinha o mano com meu pratinho de banana amassada com mel. Que mano querido! Tinha 11 anos quando nasci. Fui um pouco filha dos meus irmãos Edmundo, Íbsen e Dely. Tanto me paparicavam como me davam palmadas em horas que se cansavam das minhas chatices.

Ainda hoje, aos 73 anos, olho para o Edmundo, casado com Éd, pais dos sobrinhos Edmundo Júnior, Eduardo e Ireniza, e o vejo como um paizão. O pai da minha infância, pois papai foi embora e mamãe nos criou. A figura do pai faz falta. Via meus amigos com pai e mãe, e sofria por não ter pai. Edmundo supria-me este vazio!  Foi quem me deu o 1º álbum, onde minhas colegas copiavam poesias e desejavam-me felicidades. A capa era de camurça. Lindo! Foi ele que me deu a 1ª maçã, que desconhecia. Mato Grosso não é terra de maçãs. Também me deu uma caixa de passas, que saboreei uma a uma. Que gostosura! Trouxe-me do Rio de Janeiro uma bela garrafa térmica e fiquei encantada! João Pedro também quis levá-la à escola e não é que quebrou? Não foi proposital, mas o maninho era desajeitado. Pior do que eu! Gosto dele! Que quebre tudo! Eu amo meu irmãozinho, mais velho que eu apenas 3 anos, mas éramos unidos e ríamos de quase tudo. Mamãe não gostava das nossas risadinhas. Tem Mal de Alzheimer e fico com a alma esmagada quando percebo que esqueceu quase todo o nosso passado! Alemão safado! Pior que Hitler!

Caminhei umas cinco quadras e vi uma casinha que gostaria que fosse minha. Inspirei fundo e o perfume de jasmim tomou-me por inteira. Não sabia que encontraria jasmins nesta 5ª feira, primeiro dia de dezembro. O cheiro entrou em minha alma. São doces como aqueles jasmins que tinha em minha casa cuiabana. Abençoada casa! Que todos que moram aqui sejam felizes, como também era em Cuiabá!

Sigo à frente e novamente o cheiro de jasmim invade-me. Para por um instante. Como o cheiro não sai de mim? Ora! Há outro jasmineiro no jardim da casinha verde, de madeira. Uma jovem sai toda perfumada, percebe que olho para as flores e, delicadamente, colhe alguns ramos e oferece-me. Obrigada! Adoro jasmins!

- Nem precisa dizer! Seus olhos falam! Quer uma mudinha?

- Não, moro em apartamento, mas se futuramente morar numa casa, prometo, virei aqui e pedirei uma mudinha.

- Fique à vontade! Quer entrar? Mamãe mora sozinha. Vou para a faculdade. Estudo no CESUSC. Faço Direito e se Deus me ajudar ainda serei Promotora! Até logo!

Recomeço a caminhada com passos mais apressados. Logo as águas vão rolar! Lembro da marchinha carnavalesca: “As águas vão rolar! Garrafa cheia eu não quero ver sobrar! Eu passo a mão na saca, saca, saca-rolha, e bebo até me afogar! Deixe a água rolar!/ Se a polícia por isso me prender, e na última hora me soltar, eu pego a saca, saca, saca-rolha, e bebo até me afogar!”

Cai a chuva! Corro para o apartamento e faço uma banana da terra assada, que como com manteiga, canela e açúcar!

Saudades de um tempo que se foi!


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