quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

FÚRIA TEM FARO


Quem me contou este caso foi a Jenny. É a história de um homem que se hospedou na casa de um conterrâneo italiano onde há
um cão de nome Fúria.
Heliakin veio da Itália, mais precisamente da Calábria. Recomendado por parentes calabreses, foi bem recebido na família de
dona Guilhermina e seu Patrício Roncalli. Ela é acreana e o marido calabrês. Vivem calmamente, com um casal de filhos e o
cachorro. A raça não importa, mas Fúria tem um faro surpreendente e se não for com o cheiro de alguém, a pessoa está
perdida.
Licia, filha mais velha, tem 21 anos. Carlos, 14. Gostam de brincar com Fúria, mas é Patrício quem cuida cachorro,
encontrado em uma das ruas de Curitiba.
Fúria obedece seu Patrício; respeita e baixa a cabeça à dona Guilhermina;é leal com a família Roncalli. Lealdade forte,
total, canina mesmo.
Na hora das novelas, que a família gosta, ele põe a fuça entre os joelhos do seu dono, que lhe faz cafuné. Depois se deita
aos pés de Guilhermina. Lambe os pés dos dois. Assim é amado por todos.
Porém, um dia, invadiu a sala rangendo os dentes.
- Que foi, Fúria? - perguntou a mulher.
Au...au...au... Bravejou.
Heliakin acabou de sair do banheiro. Fúria, furioso, avançou contra ele.
Apavorado, gritou: - Pelo amor de Deus, o que tem contra mim este cão?
- Que horror! Tem raiva!
Guilhermina apressou-se a colocá-lo no quintal. Passados alguns minutos, foi ver como estava. Fúria estava normal. Aceitou
pacificamente o seu carinho. Sacudiu o rabo como sempre fazia. Contudo, assim que Heliakin botou a cara na porta, passou a
rosnar e mostrar os dentes.
- Que foi que você fez contra o nosso cachorro?
- Juro por Deus! Nada, nadica de nada!
Os meninos apareceram e foram alegremente recebidos. Brincalhão, o cão pulava sobre eles.
Na hora em que o calabrês quis passar, quase foi mordido. Voltou atrás e trancou-se na sala com seu Patrício.
Quem poderia explicar a atutude de Fúria? Estaria a confundir Heliakin com o padeiro, de quem não gostava? Afinal de
contas, Heliaki era um homem bonito, barba bem feita, bem vestido. Mas nada dele se aproximar do hóspede.
Prenderam Fúria numa coleira, no quintal, debaixo do pé de caqui.
Heliakin foi para a rua sem susto.
Patrício começou a temer da presença do conterrâneo em sua casa. Afinal, porque ele não implicava com o restante da
família?
Foi chamado um veterinário e este constatou que nada de errado havia com o cachorro.
- Sabe, meu velho, vovó Tereza sempre me dizia que os cães tèm um sexto sentido. Instinto aguçado para algumas coisas...
Será que o tal do Heliakin é gente boa? Você o conhece?
- Não, mas o Figuri, meu primo, recomendou-me como uma pessoa decente e honesta.
- Sei não!
Na hora do jantar, Letícia olhava para o hóspede com total desonfiança.
Na cama, marido e mulherer passaram a discutir.
- Quero que dê um jeito de mandar esse sujeitinho embora.
- Sei não! Afinal das contas o Figuri nos hospedou tão gentilmente no verão passado!
- Pois não quero mais ele aqui!
À noite, quando o hóspede chegou, Fúria parecia enlouquecido.
- Está vendo? O que é isso? Hein?
Furia quase arrebentou a coleira para avançar contra Heliakin.
A sós, na biblioteca, o marido propôs à mulher livrar-se do cachorro.
- Essa não. Há quanto anos Fúria faz parte da nossa família? Temos que despedir o seu hópsede! Fúria nos avisa de algo
errado com esse sujeitinho.
Não deu outra. Após uma semana, um telefonema anônimo, avisou Patrício que seu hóspede era vigarista conhecido na Itália.
Pertence a um grupo de traficantes!
Quando chegou, foi cercado por todos: pai, mãe e filhos.
- Por favor, pedimos para mudar-se daqui ainda hoje. Sabemos de suas atividades contra a lei!
- Que é isso? Sou homem de caráter, honesto, amigo do seu primo Figuri!
Fúria arrebentou a coleira, avançou contra ele e mordeu-lhe a orelha.
Nem pode entrar e os quatro trouxeram-lhe seus pertences.
- Ali na esquina tem uma pensão! - visou Letícia.
- Às vezes não se sabe quem acolhemos em casa, marido! Que Deus me perdoe! Mas Fúria tem toda razão!
Patrício baixou a cabeça e abatido deitou no sofá.


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